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A conta do hospital

A conta do hospital

Demóstenes Torres

Para quem perdeu a paciência com o apagão aéreo e pensa em enfrentar as estradas nacionais nas férias de verão seria conveniente dar antes uma olhada na pesquisa divulgada pelo Ipea, na semana passada, intitulada “Impactos Sociais e Econômicos dos Acidentes nas Rodovias Brasileiras.”O estudo chocou até mesmo os maiores especialistas em trânsito no País, pois não se imaginava que seria tamanha a tragédia das perdas resultantes da barbárie sobre rodas. Os dados foram coletados entre 2004/2005 e apresentam uma conta de R$ 22 bilhões de reais, ou 1,2% do PIB, perdidos anualmente com os acidentes ocorridos no sistema rodoviário. Se forem somados os custos dos desastres ocorridos nas vias urbanas, o valor do prejuízo sobe para R$ 30 bilhões.

Ainda que a vida tenha um valor subjetivo inestimável, o Ipea elaborou uma metodologia de cálculo bastante abrangente dos custos dos acidentes. Ao levar em conta os danos às pessoas, aos veículos, às vias e ao ambiente, os pesquisadores chegaram à conclusão que um acidente com morte custa ao País R$ 418,3 mil em média. Em 2005 foram 10.422 vítimas fatais nas rodovias, o que equivale à ocorrência de 5,6 acidentes aéreos mensais com o mesmo número de mortos do maior desastre da aviação brasileira. A tendência de morte nas estradas é ascendente: entre 2004 e 2005, o índice de mortos para cada mil acidentes cresceu de 90,6 para 94,9.

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