Como foi a Audiência Pública sobre ciclovias
Após mais de um ano de implantação das primeiras ciclovias do programa Pedala BH e com a conclusão do primeiro lote (cerca de 22km), ciclistas de BH se organizaram e conseguiram marcar uma audiência pública, com o objetivo de demandar mais ações da Prefeitura e BHTrans.
Os ciclistas Guilherme Tampieri e Vinícius Túlio elaboraram um
relatório (
versão preliminar) com
erros de implantação e a má conservação das (ainda poucas) ciclovias de Belo Horizonte.

Foto: Felipe Bitterman
A audiência pública foi intermediada pelos vereadores da Comissão de Educação, Ciência, Tecnologia, Cultura, Desporto, Lazer e Turismo (!):
Pela BHTrans/PBH compareceram os representantes:
Dificuldades na entrada de Bicicletas
A audiência teve que ser suspensa por quase uma hora. Motivo: ciclistas que ainda chegavam, foram barrados pela Segurança da CMBH, que não queria permitir a entrada de bicicletas no estacionamento (alguns tiveram que amarrar as magrelas do lado de fora, em postes). Embora esta seja uma prática fosse permitida rotineiramente, o chefe da segurança (que não foi identificado) “passou um rádio” para todas as portarias, alegando que a presença de bicicletas era perigosa, pois os carros poderiam ser arranhados! Com muita dificuldade e com a intervenção de assessores dos vereadores, foi permitido o estacionamento em um “cantinho” ao lado da entrada, sobre entulhos. Engraçado, que no mesmo local, havia uma moto estacionada, sendo que há espaço destinado a elas no estacionamento…

Foto: Appa Bicicleta (Facebook)
Informações da BHTrans
- Apresentação de slides , onde há fotos das ciclovias implantadas, quando foram inauguradas. A única informação positiva foi a pintura e re-sinalização de trechos da ciclovia da Avenida Tereza Cristina.
- Para 2012, há uma licitação para execução de obras de cerca de 70km, com o objetivo de atingir os 110km de ciclovias (promessa do prefeito), sendo que 24km serão financiados por uma entidade internacional.
- A implantação da ciclovia da Savassi (a partir da rua Professor Moraes) custou R$ 190.000,00 por quilômetro (!).
- Conforme consta na página da BHTrans, há 380km potenciais para implantação de ciclovias na cidade.
Relatório fotográfico sobre as ciclovias
O relatório foi apresentado pelo Guilherme Tampieri e Vinícius Túlio. Não considerou a ciclovia da (meia) orla da lagoa da Pampulha, pois, devido à sinalização praticamente inexistente, ela é utilizada como pista de cooper pela maior parte dos frequentadores.
Todas as ciclovias implantadas em 2011/12 tem defeitos graves em sua construção, como:
* Bocas de lobo longitudinais ao fluxo de ciclistas;
* Rampas com “degraus” nos cruzamentos;
* falta sinalização horizontal e vertical em pontos importantes;
* retirada de espaço do pedestre nas calçadas;
* má qualidade na pintura dos cruzamentos (na ciclovia da Savassi não durou 2 meses…), entre outros.
Solicitações dos Ciclistas e respostas da BHTrans
Após a apresentação do relatório falaram representantes da BHTrans, da Secretaria Municipal de Esportes, da FMC (Federação Mineira de Ciclismo) e outros ciclistas presentes. Destacam-se:
- Reclamações sobre a presença de pedestres nas Ciclovias:
Esta é uma reclamação que os ciclistas não deveriam fazer. Os pedestres vão caminhar onde se sentirem mais seguros. Como as ciclovias construídas tem calçadas em péssimo estado ao lado e o movimento de ciclistas ainda é baixo, a boa convivência é a melhor solução. O ciclista que ameaça ou reclama do pedestre está agindo tal como um “motorista de ciclovia”, de maneira intolerante.
- Não há campanhas educativas
O maior problema do ciclista em BH não é a falta de ciclovias, bicicletários nem mesmo os morros, mas a falta de respeito dos motoristas no trânsito. Não basta entregar cartilhas nos dias de inauguração, é preciso um planejamento e uma ação coordenada com outros órgãos para educar e multar aqueles motoristas que ameaçam outros atores do trânsito. As reclamações se dirigem principalmente a motoristas de táxi e ônibus, que deveriam passar por reciclagem constante. O que se vê nas ruas é que são totalmente despreparados e não se intimidam com as reclamações registradas na BHTrans (telefone 156) ou na Transfácil (3217-4050).
- Falta de estrutura para estacionamento de bicicletas
Embora haja legislação municipal e estadual que ‘apoie’ a implantação de políticas para promoção do uso da bicicleta, não há ações efetivas do poder público para que seja obrigatória a instalação de bicicletários seguros em locais de grande movimentação e órgãos públicos. Vide o mau exemplo dado pela própria Câmara Municipal. Os vereadores presentes disseram que vão requisitar a permissão de entrada e a instalação de estrutura na CMBH.
- Falta de transparência e planejamento da BHTrans
Os ciclistas reclamaram da dificuldade de acesso às informações do Programa Pedala BH. Não há um canal oficial de contato e o planejamento dos próximos passos do programa não foi divulgado. Apenas o número de 110km até o fim de 2012. Os ciclistas precisam saber quem é o gerente do programa e como podem enviar reclamações e sugestões. Neste momento, temos os e-mails do José Mendanha e Mauro Luiz .
Por alto, José Mendanha disse que as ciclovias que serão implantadas este ano terão licitação até Julho e que parte delas (24km) serão custeadas por uma entidade internacional. Em conversas extra-oficiais e matérias na imprensa, estima-se que os focos de construção em 2012 serão a região do Barreiro e Venda Nova, notadamente áreas com uso intenso de bicicletas na capital.
Ao ser perguntado pelo valor de R$190.000,00/km na ciclovia da Savassi, os técnicos argumentaram que a honestidade do programa estava sendo questionada. Na realidade, o que se questionou o tempo inteiro foi a qualidade dos serviços executados e a falta de prestação de contas.
- Má qualidade de serviços executados e falta de manutenção
A tinta vermelha utilizada nos cruzamentos foi de péssima qualidade e não resistiu a 3 meses. Após muita reclamação nas redes sociais (respondidas pelas estagiárias do Pedala BH), foi executada a correção. Porém a nova tinta utilizada é muito escorregadia em dias de chuva, por exemplo.
- As ciclovias não reintegram o ciclista ao tráfego com segurança
Tomando como exemplo as ciclovias da Savassi e Américo Vespúcio, mostrou-se que elas não dão segurança ao ciclista, pois terminam no meio de um quarteirão, “devolvem” o ciclista ao tráfego na contra-mão.
- Pouca integração entre modais
Apesar de o metrô de BH
aceitar bicicletas em alguns horários há mais de um ano, a estrutura de bicicletários é pífia. O único bicicletário adequado, na estação São Gabriel, não é sequer sinalizado na ciclovia da Via 240 (Risoleta Neves) como destino para o ciclista que queira fazer a integração bicicleta+metrô.
- Projeto para melhoria na orla da Pampulha
O ciclista Rogério Pacheco falou rapidamente sobre um projeto de melhoria nas condições para ciclistas e pedestres na orla da Pampulha. Publicaremos um post sobre o projeto, para acessá-lo
clique aqui.
Conclusões
Uma audiência pública não tem poder decisório, mas houve alguns encaminhamentos:
* A promessa dos vereadores que solicitarão a instalação de bicicletário na câmara.
* Os vereadores apresentaram minuta de Projeto de Lei para obrigatoriedade de bicicletários em órgãos públicos e centros comerciais .
* O vereador Iran Barbosa falou seu projeto de lei para instalação de racks para bicicletas em linhas de ônibus da cidade.
Os técnicos da BHTrans não confirmaram se qualquer das solicitações acima serão acatadas, mas pediram que sejam enviadas a eles por e-mail.
Em julho será lançada uma campanha de educação no trânsito pela Câmara Municipal.
Repercussão
Após a audiência, as bicicletas ainda estavam lá (ufa!) no cantinho, sãs e salvas. Os ciclistas seguiram para seus destinos, naquela tarde de véspera de feriado, em meio aos motoristas presos no engarrafamento.
- Esta resenha é assinada por Vinícius Mundim Zucheratto.
por: Vinícius Mundim Zucheratto e Figueiredo
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Destruíram a ciclovia da avenida vilarinho, agora tenho que dividir espaço com o trânsito pesado. Achei que o Pedala BH era para construir ciclovias e não destruí-las. Fiquei triste, a estrutura já é precária e ainda acaba-se com a pouca que tem.
[...] continuidade aos assuntos levantados em Junho, será realizada nova audiência pública na Câmara Municipal, no dia 06/12, às [...]