maio 13, 2013
A avenida Otacílio Negrão de Lima, com seus 18km, é endereço de vários pontos turísticos de Belo Horizonte. Também é rota importante de ligação entre bairros e por ser plana, trecho ideal para ciclistas (seja para transporte, lazer, esporte, ou todos juntos). Atualmente, apenas 11km são dotados de “ciclovia”: sobre o passeio, sem qualquer sinalização, com obstáculos como árvores e placas, além de ser estreita. Nos fins de semana, principalmente, a ciclovia torna-se extensão da pista de cooper, devido ao grande fluxo de caminhantes.

Como é hoje - fonte: Google Street View
A Orla da Pampulha também é o local preferido de muitos ciclistas que praticam treinos com vários grupos organizados (pelotões), e que recebe um fluxo maior de treinos à noite (entre 18 e 21h) e nas manhãs de sábado e domingo. Há inúmeros relatos de acidentes envolvendo os pelotões:
- com veículos motorizados, que não ultrapassam o grupo com segurança;
- dentro do próprio pelotão, devido a toques e esbarrões que podem causar tombos e graves ferimentos;
- envolvendo ciclistas comuns, que pedalam na rua numa velocidade menor, e acabam ameaçados e até atropelados pelos pelotões.
Finalmente, a PBH iniciou obras para concluir o circuito de ciclovia da orla, e promete ainda sinalizar o trecho existente.


Uma ótima notícia, mas que está gerando discussão e pode levar ao indesejável embate entre ciclistas, e não apenas à discussão entre ciclistas e a prefeitura. A PBH, através do programa Pedala BH, justifica que o novo trecho será todo no nível do asfalto, segregado do trânsito pelos prismas (blocos de concreto), e bidirecional. Ciclovias, como previsto no CTB, são vias para o trânsito exclusivo de bicicletas. São vias onde a velocidade não deve ser um elemento de perigo aos que por ali trafegam, logo, não são direcionadas para treinos.
Há um projeto, do ciclista profissional Rogério Pacheco, que defende a adaptação da orla para proporcionar segurança de ciclistas em treinamento, que teriam uma ciclofaixa exclusiva sinalizada no asfalto, enquanto a ciclovia existente deveria ser expandida, para atender ao transporte e lazer. A proposta inclui ainda sugestões para alteração do tráfego motorizado em trechos da avenida.

Clique na figura para abrir o projeto de Rogério Pacheco.
A proposta do Pedala BH, programa da PBH/BHTrans de construção de ciclovias, é de se concluir a ciclovia na orla, utilizando espaço no mesmo nível da via asfaltada. A justificativa apresentada é que não há espaço no passeio para manter o padrão atual, e ainda há questões de tombamento histórico/ambiental no trecho entre o PIC e o Clube Belo Horizonte (Museu de Arte, Casa do Baile, Igrejinha, e espaços de área verde da orla).
Os projetos detalhados da ciclovia da Orla da Pampulha estão no DropBox do GT Pedala BH, instituído no início de 2013, para facilitar o diálogo de ciclistas com a Prefeitura/BHTrans.

Clique na figura para abrir os projetos do Pedala BH (Pasta: Otacílio Negrão de Lima)
A discussão está rolando no facebook (exemplos: [1] [2]), e promete gerar muita polêmica. Os grupos de treino tem procurado a regional Pampulha para garantir o seu “direito” ao uso da orla para treinamentos. Não se pode converter uma obra que beneficia a população em favor do privilégio de criar uma área de treinamentos em via pública. O trânsito seguro entre ciclistas (transporte, lazer, esporte), motoristas e pedestres é que deve ser privilegiado.
A BHTrans, através do Pedala BH, deve tem que convocar uma reunião específica sobre esta ciclovia, para minimizar a polêmica e chegar a um bom cenário para todo uso do espaço público da orla.
por: Vinícius Mundim Zucheratto e Figueiredo