Abordagem positiva
Copiando bons argumentos do Willian Cruz, do + Vá de bike! +:
Pedalando hoje na Av. Estados Unidos, aqui em São Paulo, vi uma pickup importada soltando a maior fumaceira. Ela estava um pouco mais à frente e fui obrigado a aspirar toda aquela fumaça azulada.
Quando o trânsito parou, emparelhei e abordei o motorista com um sorriso, dizendo uma frase que achei que surtiria efeito, já que ele provavelmente tinha orgulho de ter uma pickup importada:
- Um carro bonito desse, soltando essa fumaça toda fica feio, hein? – disse sorrindo, em tom de brincadeira.
A conversa seguiu bem, com sorrisos dos dois lados durante todo o tempo. A receptividade foi muito melhor do que eu esperava (na verdade estava pronto para sair “fugido”, achando que o motorista poderia querer partir para a ignorância).
- É, fica, né… – respondeu ele, também sorrindo, meio envergonhado. – Preciso arrumar. É que a bomba de combustível bla bla bla [argumentação técnica irrelevante]. Mas preciso arrumar mesmo. Mas tenho que trabalhar pra pagar, né…
Eu ia dizer alguma coisa, mas ele já emendou:
- Certo tá você de ir de bicicleta! Não polui, faz exercício… bem que podia ter menos carro na rua pra gente poder andar de bicicleta.
- É verdade, mas se passarem meio longe na hora de ultrapassar já ajuda pra caramba!
Nisso o trânsito andou, a gente se despediu sorrindo e ainda ganhei um “Deus te acompanhe”. Desabafei, fiz gentilmente o cara se envergonhar da fumaceira que o carro dele estava soltando, deixei uma boa imagem do ciclista e ainda passei a mensagem de ultrapassar com uma distância razoável. Valeu a pena ter usado uma abordagem amistosa. Se eu tivesse xingado (olha que dava vontade), não teria conseguido nada disso.
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Semana passada eu estava voltando à noite pela Pedroso de Moraes, quase chegando na Faria Lima, quando um carro passa tirando uma fina de mim. Parou uns 5 metros depois. Passei para o corredor, parei do lado do motorista, sorri (é, não sei como eu consegui) e falei, calmamente, para o rapaz que estava dirigindo e levava um amigo como passageiro:
- Boa noite, tudo bem? Não passa tão perto assim, que se for um ciclista menos experiente o cara cai só de susto…
- É mesmo, foi mal. Passei muito perto, desculpa.
- Às vezes a gente tem que desviar de algum buraco, dá uma desviadinha com o guidão e numa dessas o carro derruba.
Aí trocamos mais umas duas ou três frases sobre os buracos e consegui um sorriso dele. Esse certamente vai tomar mais cuidado quando vir o próximo ciclista pela rua.
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Não sou um exemplo de virtuosismo, já mandei motorista tomar no c., gritando isso na janela dele depois de uma tentativa de assassinato claramente proposital. Mas minha meta é fazer das histórias acima o “default”, o meu padrão de conduta. Melhor para mim e para todos os ciclistas que o motorista verá dali em diante.
Quando o cara encosta atrás e buzina, eu costumo olhar para trás com aquela expressão de “pô, mas vc quer que eu faça o quê?”, com o braço aberto, dando de ombros. Geralmente ele se toca e muda de pista. Às vezes xingando, às vezes tirando fina, mas pelo menos passei um pouco do recado, evitei um stress e talvez até uma briga.
Tenho tentado ser assim. E olha que pra mim isso é difícil, quem me conhecesse aos 20 anos nunca diria que um dia eu seria assim paciente, conversando sorrindo em vez de quebrar o cara na porrada ou de arrebentar o parabrisa com um pedregulho certeiro.
Mas violência gera violência – e isso não é só retórica ou filosofia oriental. Mesmo que eu espanque um motorista que tentou me matar, ele não vai aprender nada com isso, não vai servir de lição. Só vai servir para aumentar sua raiva de ciclistas. Provavelmente ele colocará em risco o próximo que tiver o azar de estar na frente dele. Se for possível conversar de maneira agradável, com um sorriso, tratando o imbecil motorista como amigo, o resultado será bem mais positivo.
Mas que às vezes dá vontade de bater, ô se dá…